Era noite de Natal e uma vendedora de fósforos andava pelas ruas geladas. As pessoas passavam apressadas e não reparavam sua presença, todos com pressa para preparar a ceia, mas a menina não podia chegar em casa sem ter vendido ao menos uma caixinha de fósforo, seria duramente castigada.
A menina andava descalça, tinha perdido seus sapatos, e tentava, desajeitadamente, oferecer fósforo às pessoas que passavam.
Cansada e temendo o castigo que receberia em casa, sentou-se em uma escada numa ruela escura. Sentia-se meio febril e não tinha um bom casaco para se aquecer. Sabia que, de qualquer forma seria castigada ao chegar em casa, então decidiu usar os fósforos para tentar fazer uma fogueira, mas se perdeu num sonho dentro da chama do fósforo: via uma linda Árvore de Natal, como a que sempre sonhara ter. Logo o fósforo apagou e ela viu que tudo não havia passado de um sonho.
Resolveu então acender outro fósforo. Novamente se perdera na imagem de um sonho. Agora via um belo peru de Natal, a esperando sobre uma mesa com muitos pratos, que nem o nome sabia. Mas o fósforo tornou a apagar e ela voltou a sua triste realidade.
Imediatamente acendeu outro, e a chama lhe mostrou uma pessoa. A avó, a única que havia realmente a amado e tratado com bondade -mas que já havia partido desse mundo- começou a aproximar-se dela. desesperadamente a menina começou a acender um fósforo atrás do outro para não perder aquela imagem. A avó chegou perto dela sorrindo e com um terno abraço a convidou para ir embora com ela. A menina sorriu verdadeiramente: ela iria com a avó para um lugar como em seus sonhos; sem dor, tristeza, fome ou qualquer coisa ruim. Um lugar onde alguém a amaria realmente. Agarrou-se a avó e foi subindo com ela em direção ao céu estrelado. Lá sempre seria Natal, sempre haveria festas e presentes, e ela seria amada de verdade.
No outro dia, pessoas que passavam pela rua encontraram o corpo da menina gelado encostado na escada. Apesar da pena de ver uma criança morrer de tal forma, todos notaram a leve expressão de paz que havia em seu rosto, e se perguntavam com o que ela havia sonhado naquela noite.
Obs.: Esse texto é uma adaptação que fiz de uma história que li, pela primeira vez aos sete anos, num livro de contos! Espero que como eu, vocês gostem.



Gabriela
Qua 05 Dez 2007 13:28